Uma pesquisa inédita no mundo, coordenada pelo Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, conseguiu reprogramar células da pele de pacientes esquizofrênicos e transformá-las em neurônios.
Esses neurônios foram usados para identificar características bioquímicas da esquizofrenia. E, num passo adiante, os pesquisadores puderam consertar as falhas nos neurônios, fazendo com que trabalhassem como os de uma pessoa sem a doença.
Realizado exclusivamente com tecnologia nacional, o trabalho uniu cientistas da UFRJ, UFRGS, USP e Instituto Nacional do Câncer (Inca), e foi aceito para publicação pela revista “Cell Transplantation”.
Sua primeira apresentação foi realizada na Academia Brasileira de Ciências, no dia 30 de agosto de 2011.
Sob liderança do neurocientista Stevens Rehen, coordenador do Laboratório Nacional de Células-Tronco (LaNCE/UFRJ), a equipe isolou células da pele de 11 pacientes esquizofrênicos.
Nesta primeira etapa, os cientistas trabalharam com o material extraído de uma mulher de meia idade.
Em dois meses, as células foram isoladas e multiplicadas em laboratório. Depois, foram reprogramadas com o uso de vírus que carregavam genes específicos de células embrionárias.
Sua conversão em neurônios, após mais de 40 dias, permitiu identificar uma anomalia no metabolismo das células.
De acordo com Rehen, “Não há qualquer diferença nas células da pele de esquizofrênicos e de não-portadores do transtorno”.
“Mas, houve uma alteração bioquímica no estágio inicial do desenvolvimento do sistema nervoso, durante a transformação da célula embrionária em neurônios. Constatamos que este material, nos pacientes com esquizofrenia, consome duas vezes mais oxigênio do que uma pessoa saudável”.
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Texto retirado do Jornal A Tribuna 30/08/2011

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