Cientistas da Flórida, EUA, desenvolverão um novo composto sintético capaz de bloquear, em ratos, a ação de uma célula especifica ligada à esclerose múltipla.
A novidade pode levar, no fututo, a uma terapia potencialmente eficaz para a esclerose, e também para outras doenças igualmente autoimunes (causadas pela ação do sistema imunológico contra células ou tecidos saudáveis do organismo).
Hoje, os tratamentos utilizados para amenizar os sintomas da esclerose múltipla, que é uma doença neurológica crônica que afeta o sistema nervoso central, suprimem todo o mecanismo natural de defesa do organismo.
Isso deixa os portadores vulneráveis aos efeitos colaterais do tratamento, a contaminações e ao desenvolvimento de outras doenças.
O novo composto desenvolvido pelos estudiosos, batizado de SR1001, age em um tipo especifico de células, as TH17, que desempenham um papel importante na autoimunidade.
É uma droga que funciona bem em modelos animais, com a vantagem de ter poucos efeitos colaterais, explica Tom Burris, pesquisador do Instituto de Pesquisa Scripps, na Flórida, e coordenador do trabalho.
Os cientistas estavam trabalhando na investigação de moléculas de compostos que agem afetando especialmente os receptores relacionados à esclerose. Esses receptores são estruturas que ligam outras moléculas, provocando algum efeito na célula.
Recentemente, cientistas sinalizaram que as células TH17 produzem moléculas que podem induzir inflamação – uma das principais características de todas as doenças autoimunes.
O que os pesquisadores da Flórida perceberão é que, ao eliminar os sinais celulares da TH17, os principais sintomas da esclerose múltipla também são eliminados. Foi exatamente o que aconteceu em testes realizados em modelos animais.
Além disso, o composto, de ingestão oral, age sem afetar outros tipos de células do mesmo “grupo” da TH17. Em outras palavras: não há impactos metabólicos significativos, como no caso de outras drogas já testadas para esclerose múltipla.
Duas empresas farmacêuticas e de biotecnologia estão interessadas em continuar as pesquisas para, futuramente, desenvolver a droga.
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