Os protocolos usados para diagnosticar doenças cardíacas e respiratórias em crianças apresentam inexatidões e não são baseados em evidencias, afirma um estudo conduzido por médicos ingleses e publicado na revista cientifica The Lancet.
Medições dos batimentos cardíacos e da atividade respiratória são frequentemente empregadas na hora de decidir tratamentos, mas, segundo a pesquisa, se forem aplicados os parâmetros atuais, metade das crianças saudáveis da faixa dos 10 anos teria sinais vitais considerados anormais.
Pior: portadores de distúrbios cardíacos e respiratórios podem não estar sendo diagnosticados.
O estudo analisou dados presentes em 69 outros trabalhos publicados no mundo todo. Neles constam taxas cardíacas de mais de 143 mil crianças e taxas respiratórias de quase quatro mil.
A rapidez com que a criança respira e a velocidade dos seus batimentos cardíacos são importantes ferramentas de diagnostico de doenças. As medições são comparadas a tabelas que mostram os níveis esperados.
Contudo, os pesquisadores dizem que os números-padrão forma passados de geração a geração sem evidencias e, muitas vezes, ignorando as normais e importantes alterações dos sinais vitais durante a infância.
De acordo com o estudo, a velocidade com que as crianças respiram decresce sistematicamente entre o momento do nascimento e o inicio da adolescência, sendo que a queda mais proeminente ocorre ao redor dos 2 anos – de 44 respirações por minuto para 26, em média.
Já os batimentos cardíacos apresentam pico ao redor do primeiro mês de vida, indo de 127 por minuto para 145, antes de cair para algo como 113, por volta dos 2 anos.
Segundo os autores, os atuais protocolos mostram números às vezes diferentes. Em sua avaliação, o novo trabalho pode ajudar os médicos a diagnosticar eventuais doenças com mais precisão.
“Crianças com altas taxas de batimentos cardíacos não estão sendo diagnosticadas, e outras com taxas normais estão sendo consideradas portadoras de distúrbios inexistentes”, afirmou o coautor do estudo Matthew Tompson, médico da Universidade de Oxford, na Inglaterra.
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